[Poesias em canções]


TEU HOMEM foi a rara escolha de Daniel Groove, compositor cearense que pinçou aquela com os versos mais simples, sem grandes pretensões aritméticas, mas sem dúvidas também os mais pornográficos, ensejo que me compete como poetero, mas que vela em potência uma possibilidade catastrófica de render-se à vulgaridade, o que não foi o caso, de forma alguma. Sapeca de tudo, ganhou as baquetas de Beto Gibbs, o vozerio sensual das atrizes Elisa Porto e Daniela Dams e produção fina de João Eduardo Vasconcelos, tudo gravado no estúdio Cambuci Roots, em São Paulo.

UM BECK À DOIS calejou nas ideias do paraense Saulo Duarte, confesso da labuta árdua com os versos esfumaçados que, por fim, o fizeram desistir. Até um dia, despretencioso como as tardes vazias mas cheias de umidade cinza e pretensões tempestuosas, tomou o violão nas mãos e dedilhou um samba de boi. Não alcançou todos os versos, ainda que o sentido esteja invulnerável camuflado entre o branco das baforadas, tanto é que rebatizou-a de O TEMPO DESSAS HORAS, sublinhando a primeira estrofe da poesia original. Também gravada no estúdio Cambuci Roots, foi co-produzida por João Leão, também o autor dos teclados, a percussão é de Tulio Bias, a doce voz de Yasmin Mamedio e o baixo de Klaus Sena.

MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO & 1/2 é umas das mais antigas poesias que escrevi, data de 1999, quando ainda tinha 15 anos. Conta daqueles tempos, daquelas incertezas, elas que de repente reaparecem, intactas e renovadas, maduras como eu. A princípio intitulava-se apenas Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, o Meio foi acrescido à pedido encarecido de meu grande amigo Vitor Jasper, sociólogo curitibano nascido em 1985 e parte visceral destes versos. Eles que, de alguma forma sincrônica que me foge ao entendimento, trataram de tocar o poeta acriano Diogo Soares, vocalista da melhor banda de rock nacional em atividade, o Los Porongas, e que há pouco tornara-se, também, um grande amigo.

ENCONTRO, poesia posteriormente intitulada ESTES BEIJOS JÁ SE VÃO PRA NÃO FICAR, nas cordas etílicas e apaixonadas do paulistano Pélico ganhou cadências realmente surpreendentes. A princípio ele escolhera outra poesia, intitulada ELAS & ELES, mas a dureza concreta dos versos impediram que se tornasse, também, partitura. Com os prazos bastantes apertados, pediu que eu enviasse uma “poesia musical” e na hora enviei-lhe o link de Encontro. Expliquei que era uma daquelas escritas nos guardanapos de bares, enquanto espera a garota que nunca virá, desprentensiosos versos de noite escura paridos durante um samba de Lupicínio antes dos derradeiros goles de cerveja quente. Pélico resolveu, então, descontruir em mim a máxima lupiciniana dos tristes moços, e ao lado do lendário baixista da ainda mais lendária banda Los Pirata, Jesus Sanchez, reverberou-a num lamento de pista, para chorar dançando, para dançar chorando. André “Piruka” Ricardo fez as bateria e congas, e Ed Roth o wurlitzer, ele também assina a gravação, ao lado de Jesus, o produtor.

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