[As siglas do absurdo]


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[PUBLICADO NA REVISTA DA CULTURA]
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A pauliceia nebulosa garoava das sorrateiras nuvens que brincavam de esconde-esconde entre os arranha-céus. Seus para-raios beijavam relâmpagos desbocados, sempre fofocando os segredos da próxima tempestade por ruidosos trovões apaixonados. Cruzei a EACH já sentindo os primeiros pingos e, ao me aproximar da cancela, apaguei o THC na sola do tênis. Corri para estação USP-Leste da CPTM e deixei dolorosos R$3,50 num VT. Dois adolescentes driblavam os bancos de plástico, no boné de um deles estava escrito R10 e na brilhante camiseta do outro, que gingava como o R9, lia-se CR7. Só tirei os olhos daquela peleja quando senti o celular vibrar, era um e-mail: “ps. a url do rss está out com ctz. omg! arruma asap e me manda msg de sms pq o wi-fi tá zoado. lol. tks.” Senti que o dia seria mais longo que a BR-101 e escorregadio como um KY.



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