[Dia de luta e luto]

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PUBLICADO NA REVISTA DA CULTURA

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No primeiro dia do mês de maio, famílias vão à praia e visitam parentes; jovens fazem piqueniques na praça; centrais sindicais chamam todos às ruas para o show de uma famosa dupla sertaneja e para o sorteio de um carro popular; homens de negócio negam o ócio e adiantam contratos milionários; estudantes dormem ou bebem para esquecer o que nunca aprenderam; já a história, essa velha que descansa numa cadeira de balanço enquanto limpa sua escopeta de cano duplo, não se esquece nem de onde nem do por quê tudo isso começou: o Dia do Trabalho, o 1° de Maio. Não se esquece dos oito operários condenados à forca nem da bomba que explodiu em Haymarket em um lindo dia de chuva em Chicago.

O 1° de Maio que comemoramos no Brasil – que comemoram franceses, russos, portugueses, moçambicanos, suecos etc. – tem suas origens nos Estados Unidos, que por sua vez não comemora o Dia do Trabalho em 1° de Maio, mas na primeira segunda-feira de setembro. Há memórias coletivas difíceis de encarar, e o que aconteceu nos EUA durante a segunda metade do século 19 faz lembrar um tempo perverso, que por vezes parece se repetir nas ruas de nossas cidades. Tenha em mente que, naqueles tempos, a Guerra Civil norte-americana havia acabado recentemente, mas por quatro anos, entre 1861 e 1865, tinha dividido os EUA entre estados antiescravocratas e escravocratas, abrindo feridas até hoje mal cicatrizadas. Os últimos queriam separar-se e fundar os Estados Confederados da América, por isso ela também ficou conhecida como Guerra da Secessão. Nas décadas seguintes ao conflito, Chicago explodiu econômica e demograficamente. A cidade foi o centro industrial da era da urbanização. Sua população saltou de meio milhão para mais de um milhão de habitantes durante a década de 1880. Além das turbulências relativas a este rápido crescimento – como violência e desemprego –, havia um ingrediente extra e extremamente importante neste caldo tempestuoso: o movimento operário.



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