[Reversos]

Projeto de dar com as ideias na parede, matutagem de versos e tijolos de sonhos colidindo durante cerca de oito meses até que finalmente vencesse o materialismo para se tornar binário. E descansar. O falecido Nego Dito – na personificação da desenhista Bibi Monteiro, do jornalista Fabio Navarro e deste poeta que escreve, Junior Bellé – convidou 24 compositores da faíscante cena musical contemporânea para transformar 25 poesias em canções. No que compete às poesias, todas foram publicadas na coluna Reversos, que empresta o nome à seu primogênito projeto. Esse flerte entre o contemporâneo de cada arte pariu um inédito disco duplo profundamente autoral, que pode ser baixado ou escutado gratuitamente.

Entre as 25 poesias escolhidas pelos compositores, quatro delas são de minha autoria e, coincidentemente, todas são parte do livro O CONTRATO DE REISTÊNCIA NA TERRA, ainda inédito, o primeiro trabalho poético alinhavado, posto que O SONHADOR QUE COLHE BERINGELAS é um breve compêndio de poesias soltas, de um tempo ido.

.DOWNLOAD LIVRE: BAIXE O DISCO COM TODAS AS MÚSICAS, POESIAS E DESENHOS

REVERSOS – INSTRUMENTALIZANDO A POESIA: LADO A

REVERSOS – INSTRUMENTALIZANDO A POESIA: LADO B

REPORTAGEM DO PROGRAMA PARATODOS, DA TV BRASIL, SOBRE O REVERSOS: a partir do minuto dezessete.

REPORTAGEM DO IT’S TV, PROGRAMA DA RIC TC, AFILIADA DA REDE RECORD NO PARANÁ E SANTA CATARINA: a partir do minuto dezessete.


RELEASE DE DIVULGAÇÃO DO PROJETO REVERSOS – INSTRUMENTALIZANDO A POESIA, ESCURTO POR FABIO NAVARRO.

“É preciso ensolarar-se.

Ideia que ficava evidente, durante as passadas quase verticais extremas na escada que levava ao octogésimo apartamento em um prédio de sete andares. Um solar embebido em colaborações, amizades a nascimentos. Residência formada por um quarteto migrante das araucárias paranaenses. Emputecidos repórteres. Lava apaixonada pela esquizofrênica arte de contar histórias que é o jornalismo. Morada onde o vento recortava caracol em ferro, que em breve futuro serpentearia as almas dos que passaram pelo Apê80. Um lugar que, além de lar, abrigava reuniões de comadres e compadres que confabulavam sobre a vida, a sorte e sobre o mundo. Na vitrola, as músicas inundando ouvidos e poetizações do futuro, enquanto o mundo lá fora fervia em inquietação artística. O apartamento rasga então a artéria e mergulha nesse seminal fluído chamado viver.

Epicentro independente nesse cultural miocárdio, o 80 foi taverna de noites estrategicamente iluminadas. Pelo quarto/palco/terraço passaram artistas seminais como Tulipa Ruiz, Rafael Castro, Curumin, Jr. Black, Los Porongas, Los Pirata & André Abujamra, Canja Rave, Dom, Lucinha Turnbull & Luis Chagas, Gustavo Prafrente, Felipe Catto, Circo Motel, Rogério Skylab, Pública, Nevilton, Mister Lúdico, Pélico, As Radioativas, Leo Cavalcanti, FelixBravo, Bárbara Eugênia, Blubell e Violentango. Lentes fotográficas de Eduardo Gabriel, José de Holanda, Ariel Martins e Helena Marc. Paredes e flyers repletos das cores de Stefano Azevedo, Bibi Monteiro, Thany Sanches, Rimon Guimarães e Alexandre Paschoalini. Poetas, jornalistas e literatos, que um dia inspiraram e então compartilhavam conversas, cervejas e fumaça. Assim foi com Junio Barreto, Xico Sá e Ronaldo Bressane. Tudo embalado pelo suingue dos jornalistas Marcos Lauro (Rádio Eldorado) e Pedro Henrique Araújo (Veja São Paulo), criadores do projeto Sambarbudo e sua discoteca imparável.

Essa confraria de artistas inspirou os quatro amigos paranaenses a fundarem o site Nego Dito, com redação no Apê80. Viver o lado B da cultura entrelaçou as palavras dentro do site. O que era conversa simples em um apartamento tornava-se estrada. Itamar Assumpção sempre será a evidente semente dessa força centrífuga em levar o leitor fora da curva, através dos pertinentes olhares laterais dentro da notícia. Assim acontece a descoberta de novos nomes da poesia, literatura e cabeças pensantes que povoam as matérias do Nego Dito. O tempo em compasso com a evolução alumiou mais a estrada, deixando latente a necessidade em mostrar um outro caminho. A publicação eletrônica apresenta desafios que pedem grandes reportagens, visões repletas em lateralidades com artigos dissonantes da mesmice. Entrecantos poéticos e uma coluna de contos que serve como incubadora dos novos nomes e linhas consagradas. Entrevistas radiofônicas e uma viagem através da arte fotográfica também residem na publicação. Traficando informação de onde quer que ela venha, sem perder a
consciência.

A essência dos quatro amigos paranaenses permanece viva e o caminho está apenas começando. Uma artéria que pulsa jornalismo com melanina e emputecimento da alma, porque é preciso emputecer-se e ensolarar-se.

Por acreditar sempre nesse caminho, apresentamos o projeto Reversos – Instrumentalizando a Poesia.

A ideia em juntar novos nomes do cenário musical com novos nomes da poesia nasceu quase ao mesmo tempo que o espaço poético do site, uma coluna que leva o nome de Reversos. Inicialmente dividida em poemas e haikais, hoje contém mais um espaço: os Claversos são as viagens poéticas de artistas dos acordes, músicos, pois. Essa nova linha editorial deu a força necessária para que o instrumentalizar da poesia nascesse. Nego Dito reuniu 26 músicos e 16 poetas que tiveram como missão produzir palavras e canções inéditas. Cada músico pode escolher a poesia, e os poetas, deixaram a liberdade da arte versejar mais alto. Em sua maioria, os escritores nunca encontraram os músicos. As composições foram feitas com aquilo que tocou a alma de cada um. Isso deu ao projeto uma face muito mais aguda de verdade, também doou mais visceralidade a este material inédito dentro do cenário cultural brasileiro.

O site conseguiu, em apenas um ano de vida, reunir material de qualidade, o que permitiu aos músicos uma vasta paleta de palavras para escolher. Esse extenso cartel de poemas permitiu também que o Reversos – Instrumentalizando a Poesia expandisse sua escalação para a América Latina, valendo-se da fusão cultural continental. Desse conceito germinou a participação de Canek Sanchez Guevara, escritor cubano e neto de Che, colunista do Nego Dito e cronista do Diario Sin Motocicleta. Uma sincera simbiose de ideias e arte aconteceu entre Canek e o Nego Dito, assim, dois de seus poemas, que estão no ainda inédito Instantes Vacios, acabaram em acordes alheios. Solo Hablo y Sólo Sueño foi musicada por ninguém menos que Leo Cavalcanti, compositor paulistano que surpreendeu com os mais de 40 instrumentos presentes em seu Religar, de 2011 e logrou superar as expectativas geradas bela genética de seu pai, o compositor Péricles Cavalcanti, e especialmente por seu primeiro EP, lançado em 2008 no Musicoteca. Mas nada poderia ser completo sem as presença do paranaense Tiago Lobão Inforzato, baixista da banda do compositor Nevílton, que fez o primeiro show e também a jam derradeira, no Apê80. Com eles tudo começou e tudo terminou. Porém os ventrículos de Lobão foram tomados pelos versos brutos de uma poesia de Canek Guevara e deles fez uma canção. Mas a cidade de Umuarama não poderia apenas deixar um de seus filhos dentro dos Reversos, Nevilton, Prêmio Multishow 2011 com seu elogiado De Verdade, escolheu os versos maloqueristas do callejero poeta paulistano Giovani Baffô.

A história parece abençoar este Reversos – Instrumentalizando a Poesia, pois outros dois expoentes culturais que percorrem essa nova primavera reluzente de tempos binários, colocam-o como amalgamador de gêneros. O poeta Sérgio Vaz, fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa e gigante nome da cultura periférica, deixa profundas marcas com sua poesia, a que tanto inspirou o Reversos. Musicando o duro lirismo de Vaz, Renan Inquérito, um dos grandes representantes do hip hop nacional e autor do livro Poucas Palavras. Porém, não poderiam ficar de fora aqueles que florescem e agora se abrem dentro da arte. A Nego Dito construiu-se apontando tendências, o embrião da ideia. Daniel Groove, cearense com larga carreira na fervilhante Fortaleza a frente d`O Sonso, e há anos residente no concreto paulistano, consolida a carreira no eixo. Ele despedaça a alma no poema Teu Homem, escrito pelo colhedor de berinjelas Junior Bellé. Mesmo poeta esfumaçado que escreveu Um Beck a Dois, musicada pelo paraense Saulo Duarte. Esta canção rima com sua construção como artista, que será selada com o primeiro disco, gravado na YB e com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2012.

Encontros de pessoas distantes geograficamente, mas que a música e a poesia trataram de alocar suas almas na mesma batida. Como no caso daquela que soa do ABC, a ressurgida e crua banda de Santo André, Krias de Kafka, que escolheu musicar um poema de Estrela Leminski. Ela, escritora e filha de Paulo, o bigode mais importante da poesia brasileira, autora da Ver S/A e do livro Poesia Não, poetisa e vértice do Música de Ruiz, nunca antes ouvira falar de Fabio Navarro, escritor e criador da poesia musicada pelo dueto formado por Estrela e Téo Ruiz. O poema outrora sem título, ganhou evolução com o nome de A Vida é Trago. O mesmo sorumbático escritor Navarro, também nunca antes encontrara o compositor paulistano que também ressoa no Reversos, Renato Gimenez. Guitarrista e vocalista do Vincebuz e um dos fundadores do Sinfonia de Cães, homem essencial quando pensamos em produção de cultura underground e libertária na cidade de São Paulo. Ele convidou Pedro Pracchia, repórter da Nego Dito, poeta e membro do Carnaval Negro, para compor uma parceria na poesia Baque.

O projeto fecha círculos de alma tão claros quanto as teorias chinesas sobre a energia vital. Assim como fez Bárbara Eugênia com o poema Pó Nas Pálpebras, de Homero Gomes. A belíssima cantora, que dispensa comentários após o excelente Journal de BAD, que contou até com a participação de Tom Zé em Dor e Dor, apaixonou-se pelas palavras, sentidos e rimas do poeta paranaense e assim nasceu mais uma parceria. O Reversos – Instrumentalizando a Poesia tem essa alma. Uma escolha feita apenas pelo querer criar.

Com junções lisérgicas como a banda de Mogi das Cruzes, Hierofante Púrpura, que em 2011 lançou o EP Transe Só conseguindo equiparar-se a seu melhor trabalho, o Adubado (2009), e a poetisa paulista Thaty Marcondes na poesia/canção Pra Onde Vocês Vão?. Ou as doces claves dos paulistanos do Circo Motel, que deixaram a todos esperando composições novas desde o dançante e sensual Sobre Coiotes e Pássaros, embebidas no poema-flerte de Pedro Henrique Araújo e Isabele Infante, Carne Mal Passada, e na doçura dos versos de Bibi Monteiro, no poema Durmo Desacordo. A única música deste projeto a juntar duas poesias.

Outro desses encontros em entrecantos acontece com a soberba parceria que envolve Tatá Aeroplano, compositor imprescindível quando pensamos na música feita hoje em São Paulo. É um dos fomentadores do redemoinho cultural que tornou-se o Baixo Augusta desde a potente Jumbo Elektro, passando pela doçura bárbara e moderna do Cérebro Eletrônico e confluindo no trabalho solo, Cão Sem Dono, já pronto mas ainda inédito. Ele também encontrou as palavras de Estrela Leminski. A escritora encerra esse tabelar em outro de seus poemas, com canção de Thiago Galego, compositor de Osasco que já passou pelo baixo dos Ecos Falsos e pela guitarra de Rafael Castro & Os Monumentais, agora compõe seu primeiro trabalho solo.

O projeto Reversos – Instrumentalizando a Poesia, nasceu da necessidade em traficar a poesia para todos públicos. Em doar um tanto dos holofotes dos acordes para as letras. A artéria escolhida para que essa circulação ocorresse não poderia ser outra que não a música. Acordes que transbordam discussões acaloradas e febre alta. Muitas vezes as células espalham-se de um ser para dezenas de outros. Como no caso do poeta Filipe Garrett, que tem quatro criações nas mãos de artistas com calibre ventricular. Garrett, que custou juntar as letras para poetar e agora prepara seu livro de estreia, é peça vital deste projeto. Foi dele a ideia original, a fagulha essencial do projeto. Ele é um dos jornalistas paranaenses que formaram o Apê80, é também um dos fundadores do Nego Dito.

Um dos compositores em cuja sua octaedracubana dor reverberou, foi o brasiliense Beto Só. Beto, que teve seus três discos produzidos por Philippe Seabra, do Plebe Rude, logrou extrair beleza de versos profundamente reflexivos. Talvez ele fosse o único que poderia fazer isso com as rimas duras e profundas de Inoxidável. A banda paraibana O Jardim das Horas, desafiada a musicar a Cicatriz de Garrett, valeu-se das levadas modernas de seu Quarto das Cinzas (2010) e dá pistas sobre a partitura que comporá seu novo trabalho, já em fase avançada de composição. Como Estragar Um Verso Promissor e sua métrica quebrada e longa foram os desafios para o FelixBravo, dupla formada em Curitiba. Entre o erudito e o popular, a voz melódica de Bernardo Bravo e o violão ressoado de sentimento de João Felix buscam manter o primor sensível de Camafeu, seu arrebatador disco de estreia. De São Paulo, João Sobral busca decifrar na poesia Gênesis sua veia belchioriana ao lado de Carol Henriques.

O que não deixa de lado a força das palavras da sorocabana Mariana Rossi e seu Gerúndio Entorpecido, uma das poesias mais comentadas do site, na música dos paulistas do Visitantes, durante os anos do coletivo Escárnio e Osso – uma das sebes da música independente paulistana no começo dos 2000 – era conhecida como Wasted Nation, do clássico Folclore da Nação Desperdiçada.

Essa lateralidade lado B também é poderosa com o escritor e artista plástico acriano Danilo S’Acre e seu Anjo Metálico e o Tamanduá Alado, musicada pelo também acriano Diogo Soares. Essa talvez tenha sido a primeira experiência solo do vocalista do Los Porongas. A banda também comparece criando os acordes para a poesia 1984 e ½ , escrita por Junior Bellé. As rimas curtas e aparentemente rasas, por isso carregadas de imagens, fizeram sentido para a banda. Após terem o Segundo Depois do Silêncio, seu atual disco de trabalho, entre os melhores de 2011 nas principais listas e em muitos tímpanos e corações, deixaram-se descobrir que talvez o álbum de estreia seja tão potente quanto. E aqui mais uma vez a artéria de Bellé é o canal usado para o lirismo, dessa vez do cantor Pélico, na poesia Elas & Eles. Poesia esta que rompeu fronteiras nos Reversos, pois alcançou muitas almas fazendo a coluna expandir-se e agregar novos comparsas. Pélico, o romântico que gritou suas dores no maravilhoso O Último Dia de Um Homem Sem Juízo, tão 2008, compartilhou da história de Amanda e Pierre, soube canta-la com a delicadeza e maturidade de Que Isso Fique Entre Nós, disco que protagonizou entre os melhores de 2011.

Nesse caleidoscópio entre claves e palavras, Vinícius Castro um recifense radicado carioca sintetiza o significado do projeto. Além de grata revelação dentro do cenário musical com seu Jogo de Palavras (2010), é o autor do livro infantil O Sapo Distraído lançado pela editora Multifoco. A poesia de Bibi Monteiro, Cálculo Sonâmbulo serve de paleta para a alquimia.

Fechando a escalação musical, o rock’n roll da princesina A Coisa. A banda esteve a ponto de encerrar os trabalhos, de esquecer o sonho e deixar de lado as partituras. Entretanto, certo dia um grande amigo dos membros d’A Coisa publicou um livro de poesias chamado Distâncias do Mínimo. Este poeta se chama Kleber Bordinhão, e seu estilo, bastante influenciado pela maior das influência do estado, Paulo Leminski, fez renascer a música no coração dos amigos. Juntos musicaram a poesia Eu em Você.

Assim a revista Nego Dito aponta para um novo horizonte. Sem o pedantismo catedrático e apenas usando a essência do que acontecia dentro do seminal Apê 80. O amor pela poesia e música é o florescer por entre palavras e canções. Fazer apenas por acreditar que a vontade é muito maior do que a mesmice. Embalado na arte em lava criada pela ilustradora e fotógrafa Thany Sanches, e pelo jornalista Ricardo Ampudia, é com um sorriso coronariano que apresentamos o track list do Reversos – Instrumentalizando a Poesia. Dividido em dois discos virtuais que poderão ser baixados ou escutados com apenas um clique em nossa página no Facebook.”



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